
A sombra é agora o lugar onde me escondo, é a companhia que me abraça e o silêncio o ombro amigo que me ampara.
Não voo já no espaço aberto da Noite, não conduzo na ponta dos dedos os sonhos, não ilumino os céus porque meu olhar perdeu o brilho.
Não voo já no espaço aberto da Noite, não conduzo na ponta dos dedos os sonhos, não ilumino os céus porque meu olhar perdeu o brilho.
Hoje a noite é apenas um espaço entre dois dias.
A inexistência de palavras deixa muda a voz que não se propaga, a racionalidade invade o corpo, aprisionando a alma em seu interior, hoje perdi a liberdade de voar, deixei as convicções caírem e os sonhos dormiram e não mais despertaram.
Pergunto-me onde estão os sentires, a essência do amor, a paixão dos instantes em que nos oferecemos.
Pergunto-me como podemos perder-nos e não mais nos encontrarmos.
Pergunto-me como podemos perder-nos e não mais nos encontrarmos.
Não sei onde estou, perdi a noção de lugar, de tempo, deixei o vazio vestir o meu corpo, deixei a solidão tomar de assalto a minha alma mergulhando o espírito nas águas gélidas do oceano profundo.
Abandono-me nesta praia deserta, esperando que a maré leve o corpo, pois a alma à muito partiu, quiçá me encontres ainda com a réstia de vida que faz bater o coração e alimentar a mente, mas, o espírito partiu, para uma viagem através dos desertos da eternidade, vales de sombras, florestas geladas, numa travessia da minha própria solidão.
Quando a alma se abre, como vela de um barco à deriva, recolhe em si todas as brisas, todos os ventos, enchendo-se, mas, a cada tempestade o pano cede às forças da natureza rasgando-se em pedaços, perde-se o rumo e o navio perde-se na solidão do vazio.
A Noite, traz com elas a estrelas e o silêncio que lhe permitem adormecer embalado pela suavidade das ondas.
Quem sabe um dia, se descubra a alma deste corpo, que jaz inerte sobre a areia da praia.
Quem sabe um dia alguém seja capaz de lhe devolver a vida perdida.
Quem sabe um dia...
Hoje sinto-me sozinha.



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