terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Só mais uma noite...

Escrever o blogue foi criar uma coisa que me impedisse de esquecer os pormenores do tempo que passamos juntos. Uma espécie de testemunho de que nos conhecemos mesmo. Que isto foi real, aconteceu.
Sempre me senti anormal, por não esquecer logo uma relação. As pessoas têm um caso, ou uma relação profunda, mas separam-se e esquecem-na. Seguem como se só tivessem mudado a marca dos cereais. Nunca me esqueci daqueles com quem estive. Cada pessoa tinha as suas qualidades específicas. Nunca se substitui ninguém. O que se perde, foi-se. Quando uma relação acaba sofro muito. Nunca me recomponho. Por isso tenho muito cuidado quando me entrego, pois dói muito. Até sexo fortuito não pratico, para não sentir a falta dos outros aspectos da pessoa. Vivo obcecada por pequenas coisas. Talvez seja louca, mas em miúda a minha baba disse que eu chegava sempre atrasada às aulas e um dia segui-me, para saber porquê. Pus-me a olhar para as laranjas que caiam das árvores e rebolavam no chão; ou para as formigas a atravessar a rua, a forma da sombra duma folha no tronco de uma arvore. Pequenas coisas. Com as pessoas é o mesmo. Noto em cada uma pormenores especificamente seus, que me comovem, deixam saudades e sempre deixarão. Não se substitui ninguém, cada um é a soma de pormenores belos e só seus. Por exemplo, gosto de evocar os teus olhos e o brilho que emanavam naquele baile de primavera e de lembrar quando me abraças-te para não cair. Recordo a sensação de segurança e protecção. Lembro-me da música e sinto a tua fragrância... Lembro-me disso e tive saudades.
Sou uma louca!!
***
Queres saber porque escrevo o estúpido blogue? Para um dia vires ter comigo e eu te perguntar, “por onde tens andado este tempo todo”. Escrevi-o em parte como forma de te encontrar. Mas não somos reais, pois não? Somos personagens do sonho de uma anciã. No leito de morte, a fantasiar sobre a juventude. Meus Deus, porque se cruzaram os nossos destinos se seguem trilhos diferentes? Só desejava …Desejava que nos tivéssemos cruzado mais cedo… A nossa vida teria sido diferente.
Acho mesmo…
Talvez acabássemos por nos odiar. Talvez só sirvamos para encontros breves, em cafés. Porque não fizemos as coisas certas de inicio? Porque? Talvez porque éramos novos e estúpidos. E ainda o seremos… Quando somos novos pensamos que há muita gente para amar. Só mais tarde percebemos que é raro acontecer. Estragamos tudo e é o desencontro. Mas acredito que tudo esta escrito. Que o Mundo é menos livre do que pensamos. Nas mesmas circunstâncias acontece sempre o mesmo. Duas partes de hidrogénio e uma de oxigénio dão sempre a água.
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Estive a pensar e é melhor já não romantizar tanto as coisas. Sofri tanto o tempo todo. Tenho muitos sonhos, mas não de amor. Não me entristece, é assim. Dai a relação com alguém sempre ausente. É evidente que não sei lidar com o quotidiano duma relação. Passamos juntos horas excitantes, depois ele parte e tenho saudades, mas não morro por dentro. Quando tenho alguém sempre de roda, sufoco. Eu preciso amar e ser amada, mas quando acontece sinto logo náuseas. Sou muito difícil. Só estou feliz só. Até estar só é melhor que estar ao lado de um amante e sentir-me só. Não me é fácil ser romântica.
Começa-se assim, mas ao fim de vários desgostos esquecem-se as expectativas irrealistas e aceita-se o que se tem. Nem isto é verdade. Não tive assim tantos desgostos, tive foi muitas relações frouxas. Não eram maus, cuidaram de mim. Mas não havia uma real ligação emotiva, excitante. Pelo menos da minha parte.
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Eu estava bem até começar a escrever o blogue. Levantou muita poeira assente. Fez-me lembrar como eu era romântica, como tinha tanta esperança. E agora é como se não acreditasse em nada que meta amor. Já não sinto nada por ninguém. De certa forma, gastei todo o meu romantismo naquela noite e nunca mais fui capaz de sentir o mesmo. Como se essa noite me tivessem roubado sentimentos. Declarei-tos e levaste-os contigo. Fiquei fria, sem capacidade de amar. Para mim realidade e amor são opostos.
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É curioso, como todos os meus ex-namorados estão casados. Saem comigo, separamo-nos e eles casam-se. E telefonam a agradecer o tê-los ensinado a amar, a acarinhar e respeitar as mulheres! Só me apetece mata-los! Porque não me perguntaram? Responderia que não, mas deviam ter perguntado! Mas a culpa é minha, nunca achei nenhum deles o homem ideal, nunca! E o que significa homem ideal, o amor da nossa vida? Absurdo. A ideia de que só nos completamos com a outra pessoa é falsa. Não é?
Sofri vezes demais e depois recuperei. Por isso agora, nem a partida me esforço. Sei que não vai dar. Achas que não posso viver a vida evitando o sofrimento, à custa de …Mas isso é só conversa. Tenho que me afastar de ti. Eu não te consigo esquecer e é isso que me revolta! Foi a algum tempo e o instante perdido para sempre.
Não sei o que se passou, mas tinha que desabafar.
A minha vida amorosa é tão infeliz. Porto-me sempre como se não ligasse, mas por dentro vou secando. E seco porque estou dormente, não sinto dor nem excitação. Nem amargura. Eu não queria ser daquelas que se divorciam aos 52, desfeitas em lágrimas, confessando nunca terem amado o conjugue e sentindo que um aspirador lhes sugou a vida.
Eu queria uma vida em pleno.
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E depois há os sonhos…Sonho que estou numa estação e tu não paras de passar de comboio, e passas e passas e passas e passas. E acordo encharcada em suor. Também tenho outro sonho, em que estas ao meu lado na cama, nu. Apetece-me desesperadamente tocar-te, mas recusas e viras a cara. E eu toco-te na mesma. No tornozelo. E a tua pele é tão macia que acordo a soluçar. E o meu namorado olha para mim e sinto-me a milhões de milhas dele. Sei que alguma coisa está errada que não posso continuar a viver assim. Que o amor tem de ser mais que um compromisso. Mas depois penso que terei desistido de todo o conceito romântico de amor. Que perdi todo o interesse por ele, no dia em que deixas-te de falar.Não é por ser incapaz de ter uma relação estável ou uma família, que desejo a todos a mesma solidão.
Mas gostava de fazer uma experiência, gostava que me abraçasses outra vez. Queria ver se ficava intacta ou se me desfazia em mil moléculas…
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Sei a importância que tiveste nessa noite, só quero mais uma tentativa, só quero mais uma noite, mesmo que não pareça certo, foste muito mais importante do que qualquer outro que conheci. Mesmo hoje noutros braços o meu coração será teu até morrer.
Sinto que não deveria confidenciar-te isto.
***
A memória é uma maravilha quando não se tem um passado por resolver, porque a memória nunca se apaga.

4 comentários:

Anónimo disse...

...que momento.... mas nada do passado retorna.... e mesmo que essa noite acontecesse, as expectativas seriam tão grandes quanto a desilusão de um sonho eterno que se desfazia naquele momento e te libertaria para uma nova vida...

kris disse...

o blog acaba por ser um diário..passamos períodos menos bons, outros muito bons, são coisas da nossa vida...que farão parte do nosso passado, parte da nossa história...marcos do tempo...

gostei do teu blog..voltarei

beijo*

- Moisés Correia - disse...

Descobri…
Um banco do jardim
Que me segredou
Em poesia…
Aromas que aqui
Encontrou
De paz
E de harmonia...

É bom estar aqui...

O eterno abraço…

-Manzas-

Fred Benning disse...

Grande!
Forte abraço.