quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Desejo


Desejo.


É poderoso, enlouquecedor, e totalmente imprevisível. Muitas vezes negamos o desejo que sentimos e esperamos que ele desapareça junto com todas as perguntas chatas que não queremos responder e com as verdades complicadas que preferimos não ver.

O que acontece quando ele nasce dentro de nós inesperadamente? Como ficarmos contra ele? E devemos ao menos tentar? Estas são as dúvidas que me surgem neste preciso momento.

A teoria de Freud sobre a personalidade diz que o id vive no nosso subconsciente, e é a força que comanda os nossos impulsos mais primitivos. O ego é a própria pessoa e o superego reprime o id.

Como qualquer pessoa caprichosa, desejo o que não posso ter. O impossível. Quanto menos possibilidades tenho de o possuir, mais aumenta o desejo que sinto. Mas passamos a maior parte das nossas vidas, impedindo-nos de fazer o que realmente queremos fazer. O que de certa forma faz sentido, se todos fizéssemos aquilo que queremos, seria o caos…

O Desejo, é a força mais poderosa na terra. A semente da qual tudo começa. Institui os melhores planos, desafia quem achamos que somos e desafia o que pensamos que precisamos. É O que esta na raiz do impulso. Ele é o combustível que nos conduz. Esta no centro de quem somos.

Mesmo assim, desde cedo somos obrigados a controlá-lo. A suprimi-lo, a extingui-lo, mas as vezes um pouco de inversão pode ser algo de bom. Porque somos fortes e verdadeiros e não pensamos duas vezes ou censuramo-nos. E dizemos:

- Esta sou eu, isto é o que eu sinto, é o que eu quero. E deixamos as coisas acontecerem.

Pode ser muito constrangedor, porque todos passamos o dia a impedirmo-nos de sentir e de querer o que queremos. Como fazer com que o superego se deixe de preocupar com o que é constrangedor, de forma a passarmos a acção?

Tenho alturas que sinto que vou enlouquecer. Os pensamentos obsessivos não me saem da cabeça. Sempre tive tudo o que quis. Umas coisas de forma facilitada outras nem por isso. O meu ego, não aceita ser rejeitado, ela dá-lhe forças para lutar, torna-o arrogante e cego. A única luz ao fundo do túnel é a concretização do desejo.

Desejar-te da forma que desejo é apenas um capricho ou será mais do que isso. Como conseguir distinguir? Como seria depois de te ter? O desejo aumentaria, manter-se-ia ou diminuía? O facto de não ver o mínimo de correspondência da tua parte, significa que não me desejas, ou que tendo em conta a nossa situação preferes reprimi-lo? Se o desejo fosse correspondido, poderíamos ser crucificados por cedermos a ele?

Eu sei que existe uma química entre nós, e o que é que isso significa? Será amizade? Duas pessoas escolhem-se tendo em conta uma mistura de química e circunstância. Aparentemente a razão pela nossa escolha parece obvia: interesses comuns, sentido de humor… Mas alem disso, não deve haver algo? Podemos para e perguntarmo-nos: porque esta pessoa e não outra? É possível desejarmos os amigos, ou o desejo significa que a amizade evolui para outro patamar? A pessoa que é desejada por capricho poderá um dia passar a ser amigo? È possível que o meu ego esteja de tal maneira cego e que seja tudo criação da minha imaginação? Dúvidas, e mais dúvidas, e mais dúvidas... Será que um dia terei as respostas que procuro?

Esta história como qualquer outra história, terá de acontecer por si própria, e sem inversão de rotina, mesmo que isso signifique reprimir os desejos e viver na sombra de um sonho.

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