sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Esta noite estou sozinha...


Consomem-se as palavras, silenciam-se as aves sobre as árvores despidas de folhas.
Cai a noite a seguir ao dia, a alma exausta deixa-se ficar, por hoje, imóvel, vazia.
Esta Noite não tenho nada para dizer, não surgem nas pontas dos dedos as letras que te forma, não se descobre na tela vazia um único traço de mim, de ti, do nosso corpo.
O vento sopra, varrendo do chão a poeira que resta, sobras dum fogo extinto, dramas de uma vida abandonada entre nadas.
A voz cala-se, os pensamentos hibernam na letargia de um frio inverno, o coração, seca, na aridez deste deserto, não te escuto, nem o palpitar do teu coração se faz sentir.
As lágrimas não percorrem mais a planície da minha face, o sal acumula-se no fundo deste lago seco que são os meus olhos.
Não te encontro em lado algum, deixo-me ficar.
As asas ficam, penduradas no armário do esquecimento, fazendo-me perder o equilíbrio conseguido para voltar a voar.
Não há sonhos, nem presenças constantes, apenas a ausência se perde neste imenso e desolado mundo.
Partiram todos, e fiquei só!
Do teu corpo esbelto, conservo ainda o quadro, desenho feito de carvão, que mantenho suspenso das paredes da alma, como última recordação do passado, âncora que se prende ainda no chão vazio deste rio outrora fulgurantemente cheio de ti.

Esta noite estou sozinha...

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