terça-feira, 12 de agosto de 2008

Fogo...

...magia de Deuses, luz divina que aquece esta noite fria.
Fogo, da tua pele que arde de desejo, da tua alma que ilumina o caminho recondido por onde me embrenho.
Fogo que me consome o espírito, que funde os sentidos numa única sensação.
Elemento poderoso que transformas a matéria, alteras as formas, e modificas as sombras, trazendo-nos uma imagem do dia, no meio da noite.
Aqui, sentada, no meio destas paredes de pedra, és a luz do meu mundo.
Com os braços apoiados sobre a secretária de madeira velha, escrevo, embalada nas nuances do teu brilho.
A folha branca, completa-se ao encontrar a tinta, fazendo os caracteres ganhar formas perfeitas.
Já não sei se escrevo, já não sei se desenho, os simbolos mesclam-se com a luz e transformam-se.
No frio deste salão imenso, onde o vazio é senhor, os quadros que pintei, em vidas passadas, adornam as sombras do presente, recordando-me aquilo que já foi.
Na nostalgia deste momento, o tempo suspende-se por um instante, em que encontro nas palavras que escrevo, o teu rosto.
A noite estende-se até à madrugada, e a alvorada prepara-se para me acordar, encontrando-me debruçada sobre folhas brancas, vazias de letras que, afinal, não escrevi.
O fogo que ardia é agora um punhado de cinzas e o dia, vem revelar as paredes despidas de nada, do meu quarto de dormir.

Sem comentários: