quinta-feira, 31 de julho de 2008

Escultura


Desvendo-te, o corpo oculto por séculos de espera.
Sopro, suave, uma brisa que aos poucos revela a tua silhueta.
São pedaços de ti, que recolho aqui e ali, e junto para formar um puzzle complexo que julgo seres tu.
Nas noites límpidas, olho o céu, procuro nele o brilho do teu olhar, e espero a todo o instante que venhas olhar para dentro da minha alma.
Este ser, incorpóreo, feito de palavras apenas, assusta-te, e simultaneamente, provoca-te, numa sensação única que te faz procurar viver o instante, que desperta um frio no corpo, mas aquece a alma.
Gritas em silêncio à noite, perguntas-lhe se realmente existe alguém assim, a noite, calada, diz-te que tens de ser tu a perceber, a descobrir.
Esta noite, vou soprar de mansinho, desnudar-te o corpo, enquanto dormes, como o escultor afaga o barro, húmido, suave, que ganha forma nas mãos do criador, fazendo nascer aqui o homem que encerra a alma, contornando a pele com a ponta dos dedos, dando-lhe vida, fazendo o sonho acontecer.
Depois da criação, sento-me, olhando-a, tentando perceber quanto dela é teu, quanto dela é meu, quanto dela é nosso.
Contemplo-a, procurando nas imperfeições as virtudes do ser diferente, percebendo as minhas falhas.
Espero-te, na magnitude do teu ser, sem dúvidas nas palavras e sem medo de te perderes, afinal, ninguém se perde, porque sempre se guia pelos seus instintos, sempre terás em mim a mão que segurará a tua e te trará de volta da escuridão da tempestade, para a luz, da noite tranquila, em que a Lua nos ilumina os espíritos.


É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós os dois?
Dificílimo contar.
Olhei para ti fixamente por instantes.
Tais momentos são o meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Podemos tentar durante algum tempo fazer ROMANCES mas acabaremos por entender que as PERSONAGENS desses ROMANCES são por vezes MAIS REAIS do que as pessoas de CARNE e OSSO...
Acredita, sou mesmo REAL!
Sou alguém que sente que és como eu quero!
Que sou como tu queres!
Que procuramos os mesmos "momentos", que gostariamos de vivê-los para sempre, momentos que começaram nas primeiras palavras que trocámos e nas outras que ainda ficaram por dizer!
Sou ALGUÉM que gostaria de te DESCOBRIR e que DESCOBRISSES!

terça-feira, 29 de julho de 2008

No Sossego desta Noite


No sossego desta noite, fico a ouvir a minha própria alma.
A Lua, preenche o céu imenso, apagando o brilho da tua estrela.
Sento-me no topo da colina, em meu redor as luzes das cidades vizinhas prolongam o firmamento, pontilhando a Terra escura, esbatendo a linha do horizonte.
Hoje, não se escuta nada, apenas o som do coração que bate, a um ritmo quase parado.
Sei que estiveste aqui, vi-te por entre as sombras das árvores adormecidas, deixaste-te ficar, vieste apenas olhar-me, descobrir nas palavras escritas o fôlego que por vezes te falta.
Senti a tua alma palpitar na escuridão, comprimindo-se para não quebrar o silêncio, de palavras que não escreveste, de frases que nunca pronunciaste.
Com as mãos cravadas sobre a terra, deixei que os dedos se afundassem no solo fresco, deixei que criassem raízes e ali ficassem presos para que não deambulassem sobre as teclas, feitas de letras que sempre te escrevo.
Mas, a minha alma, soltou-se e com ela libertaram-se as palavras, frases completas, que no silêncio desta noite, agruparam as estrelas em novas constelações e desenham sobre o céu escuro, as palavras que não ouso dizer-te ao ouvido, simplesmente porque, estiveste aqui, e não me deixaste ver-te.

sexta-feira, 25 de julho de 2008


Ocultas-te , por detrás desse olhar, envolto numa névoa de mistérios.
Ofereces-me o corpo, como se apenas ele me saciasse.
Peço-te a alma, que insistes em ocultar detrás do teu peito desnudo.
Escondes-te, cobres-te com o véu da sedução, deixando transparecer o interior fechado numa barreira de cristal que me permite apenas contemplar o brilho que irradia do centro do teu mundo.
Descubro-te, em cada troca de olhares, nos sentidos que reprimes e não queres mostrar.
No momento em que a minha alma trespassa o teu corpo como um sabre que não fere.
Descubro-te, em cada rosto de homem, em cada palavra que não pronuncio, em cada instante que não vivo.
A cada passo, sinto-te o perfume, encontro o toque da tua pele na seda que me acaricia.
Aguardo-te, gosto de ver-te chegar, quando o dia cede sobre a noite que de mansinho o adormece.
Caminhas com a suavidade da brisa da tarde, com a leveza duma pluma.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Personagem Único

Quando é que percebes que bebo de ti, gotas de inspiração, colho-te do peito a própria invenção, metáfora, sentido, até ilusão.
Matas-me a sede, com teu sopro de vento, afagas-me a pele com teu sentimento.
E nasço, a cada frase tua, em cada sonho que te faço viver, e morro, a cada silêncio, na escura solidão da noite, por saber que apenas és as letras que passo a escrever.
Vagueio pelos textos que crio para ti, como se me lesses em cada olhar que imagina a palavra, como se fosses real.
Encontro-te, cruzamo-nos nas dimensões em que vivemos, passamos sem nos tocar, deixamo-nos ficar, a olhar.
Segues o teu caminho, eu a minha quimera, adormecendo sobre o livro em branco da vida, na esperança que o amanhecer me traga as palavras que te devo escrever.

Escrevo-te, para quebrar a solidão dos meus dias, acompanhar-te na solidão das tuas noites, por entre todo o silêncio a que te votas, abraçado nesse mar de estrelas que te entra pela janela.
Escrevo-te na busca da perfeição, na onda distante que a alma agita, como um poeta que não rima.
Escrevo-te porque quero ser a chama da tua fogueira, porque quero ser a luz trémula que te ilumina a alma, a companhia que na distância te acalma.
Descubro-te, simplesmente pelo instinto, pelo sabor que provo no vento, gosto teu que me toca, instante aberto em que me entregas a verdadeira essência de ti.
Desenho-te sabendo-te de cor, como se tivesses sido meu alguma vez, como se apenas te tivesse tocado, abraçado, beijado.
Invento-te, na luz do dia, para que sejas real nos sonhos da Noite, e, escrevo-te, mesmo sabendo que não me lês, mesmo sabendo que não me sentes, ainda assim te escrevo, com todas as metáforas que conheço, torneando cada palavra, embutindo nela o sentir que reluz como madrepérola.
E tu, aí sentado, olhando a janela e vendo passar lá fora o mundo, perguntas-te, sou eu? E eu respondo-te, sim és tu, tu mesmo, que agora descobriste nas minhas palavras os teus sentimentos, nas minhas metáforas a realidade que vivias procurando.
Utopia dirás, mas o que não é utópico?
Até a própria realidade o será se deixarmos de acreditar nela.

"Todas as personagens, todos os acontecimentos da nossa vida, estão ali porque nós os criámos. Aquilo que QUREMOS FAZER DELES, isso, depende de nós.".
RichardBach

Anjo da Guarda

Debaixo do olhar atento da Noite, parto numa viagem em direcção ao infinito.
Procuro em todas as dimensões, escutar os prantos dos que sofrem.
Deambulo pelas ruas desertas das cidades, pelos portos vazios de barcos, cais de lágrimas que chorámos.
Voo por entre corações quebrados, olhos molhados pela saudade do que não encontrais.
Acaricio os rostos, e num sopro, seco-os, desenhando-lhes um sorriso.
Ofereço-vos a minha alma, em troca de doces e meigas palavras.
Entrego-vos as letras, metáforas da minha essência para que descubrais a luz que brilha em vosso peito.
Fico, e amo-vos, abraçando cada desespero, transformando cada lamento em profundo amor que vos deixo.
Minhas asas aconchegam vossos corpos desprovidos de roupas, apuram-vos os sentidos, reconstroem-lhes as almas, com pedaços do meu próprio ser.
Digo-vos aquilo que já sentis, limito-me a ajudar-vos a descobrir-se.
Deixo-vos em minhas frases o alento de que precisais para seguir em frente, a confiança que haveis perdido ao longo do caminho e, o vosso próprio amor, que não sabias onde o havias perdido.
De feridas saradas, com um sorriso no rosto e asas abertas, tomais o rumo do vento, e eu sopro, para que ganheis altura.
Vejo-vos, seguir em frente, até ao fio dum horizonte onde nunca pensastes chegar.
Cansada, e com o despontar do dia a queimar-me o olhar, parto, vazia por dentro, plena na alma, em direcção ao meu porto de abrigo, concha em que me fecho para repousar, até uma nova Noite acordar.
20/07/08 - 7:00h

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Regresso a Casa


Nesta longa caminhada, subindo a encosta da vida, aprendo em cada passada, a certeza duma busca perdida.
O corpo, cansado, dos passos que deu, a alma pesada pelos séculos que perdeu.
Procuro encontrar o caminho de volta à casa das palavras, onde deixei, escritos e formulas, em épocas passadas.
Quero sentar, sobre a velha cadeira, pousar a minha mão sobre a pena, deixar nas páginas vazias, o cheiro da tinta, com sabor de palavras que carrego dentro.
Quero perder-me a contemplar, da janela, o luar, e a floresta que desenhei, sentindo o vento soprar.
Ao meu castelo quero voltar, por lá deixei os sentidos, que agora que ando perdida, preciso encontrar.
Nas noites etéreas, em que me sento e descanso, solto no vento o meu pranto, deixo a alma vaguear, por todo este mar de desencantos.
As telas não desenhadas, campos estéreis, esperam pela minha mão, para desenhar sobre elas os traços de ti, que encontrei espalhados por aí.
Em vidas, outrora vividas, colhi as histórias, sentimentos e palavras, que carrego comigo, sempre que regresso ao lugar onde um dia comecei a caminhar, nesta busca perdida para te encontrar.
Caminhos distantes, lugares recondidos, gravaram-me na alma o sabor dos instantes, o gosto de outros seres, e os pedaços perdidos que de ti fui encontrando ao longo desta viagem imensa que mais uma vez chega ao fim.
Não existe final, sem um novo início, e hoje, quando o Sol me despertar, recomeçarei de novo, a caminhar.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Despedida


Esta Noite, parti! Parti, para não mais voltar, desdobrei as minhas asas, ocultas desde que me tornei humana, e voei para longe.
Esta Noite, desisti, de carregar nas costas a eternidade contida na vida de uma mortal.
Desisti de tentar entender como o nada pode transformar-se em tudo com um simples acto.
Esta Noite, vou embora, no escuro do céu, na companhia das estrelas, deixando ao acaso o caminho a percorrer, deixando para trás a experiência humana que sempre quis viver.
O imenso tempo que a eternidade comporta não se suspende e alonga-se, estirando-nos a alma, comprimindo-nos o peito, rasgando a saudade, e inibindo-nos a liberdade.
O mundo, é demasiado cruel para aqueles providos de asas, demasiado real, demasiado brutal.
Palavras, soltas no vento, vazios, desalentos.
Noite de utopia, sonho ou mera fantasia.
Espero por ti, barca do destino, neste cais onde o mar é feito de nuvens e o céu inundado de águas.
Espero que me leves, fazendo a ponte entre a vida que não me preenche, e os sonhos, ideais e quimeras que me alimentam o espírito.
Entrego-me nesta espera, de lágrimas nos olhos por ver derrotadas todas as expectativas, de lágrimas vagueando pela face por sentir na pele o fogo que queima os que me são queridos.
Infame destino, tempo perdido na procura do inatingível, minutos, horas e dias, feitos de anos de esforços gorados, remando a contra-maré, sem sair do mesmo sítio.
O corpo exausto, espera pela unção, que sarará os flagelos infringidos.
A alma cinzenta, escurecida, espera pela luz, para ganhar cor, e resplandecer de energia.
Neste lugar, onde não há dia nem noite, onde a espera parece infinita e ao longe avisto o paraíso pretendido, deixo-me ficar, preso aos fios que aqui deixei, pedaços meus que um dia plantei, derramo o sal destas lágrimas que me escorrem como sangue pelo corpo abaixo.
É hora de pagar, alto, o preço de um sonho, é hora de aguentar, o cilício, e esperar, mais um pouco, dar tempo, amparar os desprotegidos e...
depois...
Deixar-me levar, até ao destino!

sábado, 12 de julho de 2008

O fim depende de ti...



Como uma torrente, como uma onda que persegue a anterior, as palavras procuram a escrita.
Um sentimento puxa o outro.
Os sentimentos andaram todo o dia num turbilhão e o coração é pequeno para tanta emoção!
Antes de dormir, as palavras pedem o sossego.
A cabeça procura a paz, o caminho do dia seguinte.
Mais serena, mais calma!
Nas recordações, procuro as memórias.
No tempo procuro as chaves do entendimento.
Quero avançar!
Não sei qual o sentido.
A única certeza é a de que o coração, no momento certo vai falar.
Sempre foi assim!
O caminho do pensamento não é fácil.
Por vezes tem armadilhas, subtilezas, mal entendidos que convém perceber.
As palavras nem sempre são palavras!
São ideias, intenções, assim como um “faz de conta”… ou ainda, de uma forma mais profunda, “se nós quiséssemos”…
Nas memórias, procuro os momentos, as palavras…
Não consigo continuar sem uma luz que me guie.
Dá-me um sinal...
Diz-me que existes...
Que és verdade.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Ainda hoje ressoam os tiros na minha cabeça.
Depois o silêncio e o soluçar das minhas lágrimas.
Só queria dormir…
Só queria esquecer…

Sinto-me sozinha...



A sombra é agora o lugar onde me escondo, é a companhia que me abraça e o silêncio o ombro amigo que me ampara.
Não voo já no espaço aberto da Noite, não conduzo na ponta dos dedos os sonhos, não ilumino os céus porque meu olhar perdeu o brilho.
Hoje a noite é apenas um espaço entre dois dias.
A inexistência de palavras deixa muda a voz que não se propaga, a racionalidade invade o corpo, aprisionando a alma em seu interior, hoje perdi a liberdade de voar, deixei as convicções caírem e os sonhos dormiram e não mais despertaram.
Pergunto-me onde estão os sentires, a essência do amor, a paixão dos instantes em que nos oferecemos.
Pergunto-me como podemos perder-nos e não mais nos encontrarmos.
Não sei onde estou, perdi a noção de lugar, de tempo, deixei o vazio vestir o meu corpo, deixei a solidão tomar de assalto a minha alma mergulhando o espírito nas águas gélidas do oceano profundo.
Abandono-me nesta praia deserta, esperando que a maré leve o corpo, pois a alma à muito partiu, quiçá me encontres ainda com a réstia de vida que faz bater o coração e alimentar a mente, mas, o espírito partiu, para uma viagem através dos desertos da eternidade, vales de sombras, florestas geladas, numa travessia da minha própria solidão.
Quando a alma se abre, como vela de um barco à deriva, recolhe em si todas as brisas, todos os ventos, enchendo-se, mas, a cada tempestade o pano cede às forças da natureza rasgando-se em pedaços, perde-se o rumo e o navio perde-se na solidão do vazio.
A Noite, traz com elas a estrelas e o silêncio que lhe permitem adormecer embalado pela suavidade das ondas.
Quem sabe um dia, se descubra a alma deste corpo, que jaz inerte sobre a areia da praia.
Quem sabe um dia alguém seja capaz de lhe devolver a vida perdida.
Quem sabe um dia...
Hoje sinto-me sozinha.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Profecia



"-deixa lá..no fim de contas tu não és o meu tipo de rapariga..."
.....por acaso até sou...simplesmente tu é que ainda não sabes.


Não compreendo os teus actos
Nem o que pretendes de mim
Uma hora afagas-me
Outra ignoras-me

Não percebo as tuas intenções
Nem o que desejas
Num instante instigas-me
Noutro foges de mim

Não sei o que queres
Se é que queres algo…
Talvez queiras
Apenas enlouquecer-me.

Não sei se é um jogo
Talvez seja
O teu brinquedo preferido
Um iô-iô ou bumerangue

Não entendo a tua indecisão
Nem este vai ou não vai
Hoje sim,
Amanhã talvez, quem sabe...

Não entendo a tua atitude
Nem as tuas palavras
Agora doces
Outrora amargas...

Não sei qual o teu desejo
Talvez insano
Ou puro medo
...Não entendo.

terça-feira, 8 de julho de 2008


De pensamento "descalço", caminho pé ante pé, ouvindo o eco dos meus passos que ressoam dentro de mim como vozes e segredos que me cantam á alma no silêncio da noite.
Sei para onde vou, sei para onde me chamas, sei para onde queremos ir.
Sinto-te em cada passo simultâneo que damos sem saber.
Não te vejo, nem tu me vês, mas sentimo-nos á distância do aroma do beijo que ansiamos.
Dou asas ao sonho e carta branca ao coração para me guiar nesta estrada de bermas ainda indefinidas, onde as sombras que me espreitam não me assustam, nem a névoa do súbito fim da estrada me demove da CAMINHADA.

Percorro contigo as mesmas ruas, sinto-te a meu lado.
Olho em busca do teu olhar que não encontro!
Os degraus de um tempo que passa avidamente por nós, dão-nos a certeza da presença ausente um do outro.
Tento adiantar-me aos dias, atrasando as memórias que guardo em mim sem nunca as ter vivido.
Faço batota comigo mesmo.
Corro á frente do sonho que à noite me abraça e me fala ao ouvido de um Amor real.
E quando a manhã abre a porta, passeio-me pela vida, sigo a fantasia que a noite não me deu, e que os dias não sabem que existe
É na penumbra de um espaço mágico inventado, entre o crepusculo da noite e a brilho da Lua, que as nossas almas se tocam.
É na alvorada da quimera, que os nossos lábios se cruzam, e os olhares se beijam.
É entre o encanto do começo e o desencanto do fim do sonho que os nossos tempos se fundem, os nossos corpos se acertam e o nosso Amor acontece, num suspiro de saudade que morre aos poucos.
Percorro contigo as mesmas ruas, os mesmos sonhos, as mesmas fantasias.
Partilho contigo a caricia desejada, o beijo ansiado de uma presença ausente, num tempo que não é o nosso. ...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Saudade é solidão acompanhada


Sinto saudades.
Sim, de ti. De ti que nunca conheci…
Compreendes isso?
Essa ausência que me pesa mesmo quando sei que não podes estar porque nunca estiveste.
Pergunto-me o que pensas…
O que estarás neste momento a desenhar nas telas da tua imaginação.
Será que ouves o meu voo de Fénix em redor dos teus dedos?
Arrasto os pés em mais uma das minhas viagens.
Todos os meus projectos falhados pesam-me nas costas.
Mesmo os que não chegaram a nascer.
Como tenho saudades…
Das tuas palavras, dos teus beijos, dos teus braços em redor da minha cintura a cingir-me contra o teu peito.
Das ânsias pela tua chegada que nunca aconteceu realmente.
Preciso de ti, entendes?
Preciso que me faças de novo acreditar no amor, na chegada de um amanhã mais limpo, mais belo, mais sorridente.
Preciso que inscrevas o meu nome em todas as tuas paredes, inebriado de amor e desejo…
Em noites como esta, solitária, fria, em que os meus braços me apertam num abraço desesperado penso-te também sozinho, perdido em mim e na forma que dás aos meus olhos. Tenho saudades…
Tenho saudades de mim nos teus sonhos.
Procura-me...
Espero um sinal de ti.
Espero por ti...

Vazio


Hoje sinto-me assim, como se aqui dentro não houvesse nada, além da dor de te ter perdido...
Hoje sinto-me assim, como se a minha vida estivesse resumida a lágrimas...
Hoje sinto-me assim, como se o meu coração não fosse suportar a solidão...
Hoje sinto-me assim, como se o Mundo não tivesse cor, está tudo tão escuro...