quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Normalidade

Agora é oficial, só faço MERDA.
Só ainda não descobri se é uma característica inata ou adquirida.
Prefiro morrer de remorsos a morrer de tédio.
Ou não.
Estou toda desordenada...
As palavras nem sequer me soam bem, só me doem.
A culpa não está na vontade, está no ser.
Não é falta de vontade de fazer o certo, é só receio de não o conseguir fazer.
Pelo hábito...
Por não saber...

Erros MEUS


As árvores do além, no escuro da noite, choram baixinho!
Com ternura, imploram um beijo, um carinho!
A lua já não sorri e as estrelas no céu, tristes, já não cantam melodias de amor!
No silêncio das noites escuras, recordo-te e… estremeço!
Terríveis as horas correm, implacável, o ONTEM não voltará mais!
Queria fugir, correr, correr, correr mais que o TEMPO e afogar-me no mar do ESQUECIMENTO!
Na solidão do meu remorso, revejo os meus ERROS.
Penso…
No que não fiz, porque não pude!
Ou será que não quis...?

terça-feira, 26 de agosto de 2008

domingo, 24 de agosto de 2008

Hoje senti vontade de recordar!


Momentos existem inexplicáveis, de sensações estranhas, em que não nos COMPREENDEMOS, em que nos sentimos DIFERENTES, em que somos OUTROS, limitados, somos um dilema!
Momentos em que PENSAMOS em TUDO sem pensarmos em NADA, em que olhamos o PASSADO e sentimos o PRESENTE mas em que esquecemos que existe um FUTURO, um AMANHÃ!
Momentos em que, PERDIDOS, VACILANTES, cigarro entre os dedos, de olhos no INFINITO, não os queremos FECHAR para sentirmos que estamos VIVOS...mas querendo DORMIR para pararmos de PENSAR!
Momentos em que somos SIM sem deixarmos de ser NÃO!
Também os tive...
Nesses momentos costumava ESCREVER, "vomitar "para o papel o que me ia na ALMA!
Sempre gostei de "passar ao papel" momentos meus, tanto os MULTICORES como os NEGROS...
Chamo-lhes POEMAS e não sou POETISA...mas SÃO MEUS!
HOJE apeteceu-me RECORDAR um desses MOMENTOS, escrito numa certa NOITE ...com um cigarro entre os dedos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

HOJE...

...E perguntei às aves da selva,
às estrelas da noite,
às ondas da praia,
aos ventos da saudade,
às feras da SOLIDÃO...

Onde está o meu AMOR???!!

E todos, aves, estrelas, ondas e ventos e as feras...se enterraram no oceano do SILÊNCIO!!!...

Também perguntei...
aos cactos do deserto,
às flores do caminho,
à lua no céu,
ao sol do poente...

Mas onde está o meu AMOR???!!!

Simplesmente....Os cactos, as flores, a lua e o sol...cavaram mais silêncio!!!

Então, joguei-me na NOITE,...atirei-me no ESPAÇO...e NAVEGUEI...

... ... ...
Tenho de O ENCONTRAR!!!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pedaços de mim...



Não sei se já dormes!!!!!
Pelo sim pelo não, enquanto te falo, vou rabiscando este amontoado de palavras, para o caso de não me estares a ouvir!
Dentro de cada um de nós existe uma sensibilidade pendente, pulsante diria eu, que pode manifestar e influenciar as nossas decisões e caminhos.
A minha, talvez tenha sido demasiado influenciada, porque nos dois mundos em que vivo tudo se confunde.
A fantasia tenta desesperadamente sobrepor-se às coisas banais (ao que alguns chamam as coisas simples).
Quando do nada alguém me fala da forma que eu sempre procurei e me vê como sou, a minha imaginação borbulhante imagina e sonha mais do que em qualquer outro momento.
De um sonho vivi, ainda vivo e viverei sempre, como se saísse do meu corpo e não estivesse aqui.
Por isso nunca exigi, nunca perguntei demasiado, e nunca serei capaz de apontar o dedo e acusar, porque essa atitude não faz parte de mim, faz parte do mundo onde me recuso a viver.
O tempo mensurável é algo que só existe aqui, enquanto escrevo, enquanto durmo ou trabalho, o outro tempo, o tempo do meu sonho é só mensurável nos sentimentos.
Se um dia for a mais feliz não importa quanto tempo o fui, não que viva à base de concentrado, mas esse momento fez-me viver mais do que o meu trabalho, o meu sono.
Então, não vou esquecer, quero é relembrar como se fosse ontem que alguém, que quis ou não quis ficar, (os motivos só importam enquanto ser racional) disse-me para SONHAR e ser sempre assim.
E na verdade é assim que me amo a mim, que amo a VIDA e que quero amar os outros.
Não sei se alguma vez te disse... (não nos teríamos encontrado já num outro tempo, num outro espaço.???).
Que tenho um JARDIM!
Não um jardim qualquer.
Um JARDIM que um DIA plantei no ESPAÇO, numa NUVEM e para lá viajo quando me quero sentir LIVRE!
Semeei-o para dar mais beleza à minha VIDA, é para lá que vou quando me quero ENCONTRAR!
Ali fico, longas horas, a sós, cultivando as FLORES do meu jardim!
Que SILÊNCIO, que PAZ!
Que sensação de longitude!
Como me fala o CORAÇÃO nessa mágica teia do SILÊNCIO!
Rasgo o ventre à noite, adormeço, ato o meu SONHO na ponta de uma ESTRELA, depois, a meio da MADRUGADA, acordo e pasmo com o que SONHEI!
Olho em VOLTA e penso: Como é bom meditar aqui do ALTO!
Na TERRA, TUDO é diferente!
Lá, ferem GRITOS de aspereza, existem penedias terrivelmente negras e frias, despontam árvores tristes e melancólicas, o matiz dos campos e dos prados já não é verde mas de um pálido doentio, as sombras e as cores choram no vale um soluço enorme e mudo!
Na TERRA, já pouco se SONHA, já não há poesia e o AMOR agoniza!
Aqui não.
Podemos sonhar com andorinhas, com sol quente, com céu azul e morno que nos seduz e eleva ao infinito, dardejando em corações de ESPERANÇA até às portas do paraíso!!!
Não acreditas que tenho este JARDIM?
Não?!
Então anda, dá-me a tua mão, não tenhas medo, vem…
Olha, ali são ROSAS, muitas rosas, brancas, vermelhas, amarelas...
ali ao lado ali são lírios, malmequeres, violetas...
Aquele canteiro ali?!
Nesse plantei SONHOS!
Sim SONHOS!!!!!!
Como não os vês?!!!!!!!
Chega-te mais perto, isso...
já consegues vê-los?!!!
Repara neste…....
Despertei esta NOITE...
para o teu desejo...
que é meu também!
Aqui estou neste SONO infinito...
em que me não deito....
Para te ESPERAR...desperto!
Não sei se vais DEMORAR...
Mas sei que virás um DIA...
uma NOITE...
Para com o teu corpo me despertares deste SONO imenso...
para onde resvalo...
Até lá, enquanto espero, vou repetindo a NOITE...
contigo dentro de MIM...
Apenas envolta nas dobras deste lençol, agora frio, que"desfizemos"...
numa noite das nossas loucas noites de AMOR!
Claro, tenho mais sonhos PLANTADOS no meu jardim...
Outros MORRERAM e não sei se vão RENASCER...
outros deixaram de ser SONHOS, amadureceram, cresceram e hoje já são realidade!
Mas POBRE de mim, que não posso ficar aqui eternamente a plantar SONHOS! Tenho de voltar, de descer para onde VIM!
Depois, Outra vez a NOITE...
Caem sobre mim, do céu estrelado, mistérios profundos...
Que me fazem perguntar:Terá o céu FIM???
Acho que sim, me respondo.
Porque o FIM é sempre um PONTO de PARTIDA para a imensidade Para a ETERNIDADE!
Não sei se gostaste de CONHECER o meu JARDIM...
pois, tal como dizes, nem sempre se gosta do que se CONHECE!
Mas, tivesses GOSTADO ou NÃO, nunca o SABERIAS se lá não tivesses ENTRADO!...
Sabes, os filósofos aceitam que " o homem e a mulher é MORTAL pelos seus RECEIOS e IMORTAL pelos seu DESEJOS, que tentar algo e fracassar é, pelo menos, aprender mas que não tentar é sofrer a inestimável perda do que poderia ter sido"
Nunca te esqueças, num JARDIM, as ROSAS mais belas, nem sempre são as que mais nos seduzem!!!
Na vida também é assim...
Repara: ...
A pessoa certa não é a mais inteligente, a que nos escreve as mais belas cartas de amor, a que nos jura paixão ou nos diz que nunca se sentiu assim.
Nem a que se muda para nossa casa ao fim de 3 semanas e planeia viagens idílicas ao outro lado do mundo.
A pessoa certa é aquela que quer mesmo ficar connosco.
Tão simples quanto isto.
Às vezes demasiado simples para as pessoas perceberem.
O que transforma um homem vulgar no nosso príncipe é ele querer ser o homem da nossa vida. E há alguns que ainda querem.
Os príncipes encantados não têm pressa na conquista porque como já escolheram com quem querem passar o resto da vida, têm todo o tempo do mundo; ...ouvem-nos com atenção e carinho porque se querem habituar à música da nossa voz e entram-nos no coração devagar...
Podem parecer menos empenhados ou sinceros que os antecessores, mas o que chamamos hesitação ou timidez talvez seja uma forma de precaução para terem a certeza que não se vão enganar.
O príncipe encantado não é o namorado mais romântico que nos cobre de beijos; é o homem que nos puxa o lençol durante a noite para não nos constiparmos e se levanta às 3 da manhã para nos fazer um chá.
Não é o que nos compra discos românticos e nos canta canções de amor, é o que nos ouve falar de tudo...
não é o que diz Amo-te, mas o que sente que talvez nos possa amar para sempre.
Não é o que passa metade das férias connosco e a outra com os amigos, é o que passa de vez em quando férias com os amigos.
O príncipe que sabe o que quer não é o melhor namorado; é o marido mais porreiro.
Não é o que olha para nós todos os dias, mas o que olha por nós todos os dias.
O que têm paciência para os meus, os teus, os nossos filhos e ainda arranja paciência para os filhos dos outros...
Não precisa de um carro bestial, basta-lhe música bestial para ouvir no carro.
Gosta de ler e sai pouco à noite, porque prefere ficar em casa a namorar.
Sabe estar no momento certo na nossa vida, é aquele que consegue preencher o vazio mesmo estando ausente.
O príncipe sabe quando erra, sabe quando fez mal, e sabe desculpar-se.
O príncipe é aquele que olho e digo que vou estar com ele para sempre e ele vai lá estar para mim.
É aquele com que me acorda de manhã com um abraço.
O príncipe sabe dar carinho mesmo sem o pedir.
O príncipe é príncipe porque governa um reino, porque sabe dar e partilhar, porque ajuda, apoia e faz-nos sentir importantes.
Espero que tenhas entendido.
Sabes, fez-me bem ter-te encontrado, ter-te MOSTRADO o meu JARDIM, fez-me sentir bem.
Se gostaste do meu jardim, ele è teu, podes voltar quando quiseres.
Se não te seduziu, se não conseguiste sentir o perfume das flores e dos sonhos, ESQUECE-O ou finge que nunca lá estiveste!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Baile de máscaras


Todos vestimos uma máscara ….
Num dia uma ….
No outro dia já a trocamos…
Usamos sempre a que nos convêm e quando nos convêm…
E TU, já tens a tua?
Bem-vindo ao baile da hipocrisia.

Esta é a melhor altura para deixar cair a máscara.
Hoje, só hoje, deixar cair a máscara!
Dá oportunidade que os outros te vejam com realmente és.
Ainda consegues rir, ainda existe em ti alguma coisa de criança...
Surpreende os outros, aposto que és capaz, mostra-te.
Se não fores capaz, não te surpreendas, que a vida seja um eterno carnaval, que vivas com máscara, tu e os outros, por todos os dias da tua vida…
Um dia vamos querer tirar a máscara e fazer a dolorosa descoberta de não saber o que somos quando nos apercebemos que por trás da máscara sempre houve outra máscara.
A de fingir que sempre fomos “outros”…
Vamos sendo o que se espera de nós e nunca nós mesmos.
A minha rebeldia, inquietação, faz-me querer tirar a máscara todos os dias.
Vejo através dela um rosto que já tem marcas do tempo mas que ainda mantém um sorriso de criança com qualquer coisa de “inocência”.
Inocência...?
Todos nós guardamos alguma coisa de meninos de inocência dentro de nós.
Basta tirar a mascara e procurar ou um dia resolvemos mascarar-nos de nós mesmos......
E assustamo-nos!!!
Mostra-te...
Deixa que se veja o que se esconde por detrás dessa máscara de sempre.
Oferece o teu melhor sorriso, sem máscara
Deixa que se veja a tua luminosidade, sem máscara
Deslumbra os outros com o teu deslumbramento, sem máscara
Permite que os outros te vejam as verdadeiras feições.
Sem máscara
Dá-te...
Sem máscara
Ama, sem máscara
Beija, abraça, faz amor, sexo, promessas, sem máscara.
Ou não te surpreendas se a vida se transformar em um eterno baile de máscaras.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Fogo...

...magia de Deuses, luz divina que aquece esta noite fria.
Fogo, da tua pele que arde de desejo, da tua alma que ilumina o caminho recondido por onde me embrenho.
Fogo que me consome o espírito, que funde os sentidos numa única sensação.
Elemento poderoso que transformas a matéria, alteras as formas, e modificas as sombras, trazendo-nos uma imagem do dia, no meio da noite.
Aqui, sentada, no meio destas paredes de pedra, és a luz do meu mundo.
Com os braços apoiados sobre a secretária de madeira velha, escrevo, embalada nas nuances do teu brilho.
A folha branca, completa-se ao encontrar a tinta, fazendo os caracteres ganhar formas perfeitas.
Já não sei se escrevo, já não sei se desenho, os simbolos mesclam-se com a luz e transformam-se.
No frio deste salão imenso, onde o vazio é senhor, os quadros que pintei, em vidas passadas, adornam as sombras do presente, recordando-me aquilo que já foi.
Na nostalgia deste momento, o tempo suspende-se por um instante, em que encontro nas palavras que escrevo, o teu rosto.
A noite estende-se até à madrugada, e a alvorada prepara-se para me acordar, encontrando-me debruçada sobre folhas brancas, vazias de letras que, afinal, não escrevi.
O fogo que ardia é agora um punhado de cinzas e o dia, vem revelar as paredes despidas de nada, do meu quarto de dormir.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Dor silenciosa


Há certos dias que se pudesse, apagava-os do calendário.
Dias em que a falta que me fazes é tão grande, que me faz desejar nunca terem existido.
Hoje é um desses dias.
Passaram 4 anos…
Já mal me recordo do som do teu riso (desculpa-me por isso),
Mas jamais esquecerei que os melhores aniversários que passei foram na tua companhia.
Nem todas as palavras do mundo conseguirão exprimir a falta que me fazes; nem todos os segundos de inúmeras horas serão suficientes para ocupar o vazio que deixas-te.
Prometo que vou tentar me divertir.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Gostava de ficar!

Sinto-me psicossomáticamente doente...
O meu doloroso corpo recusa-se a partir.
Quando nos “intervalos” sem ti a meu lado, enquanto te espero, penso como teria sido se nos tivessemos conhecido antes,…muito antes!
Sim, antes, no tempo em que o teu coração e o meu descobriram o AMOR, quando descobrimos o DESEJO!
Quando as nossas esperanças começaram a nascer, sem imagens falsas da felicidade, da entrega.
Gostava de te ter conhecido antes, quando os nossos sonhos ainda eram “puros” e os ideais “ingénuos”, para juntos termos aprendido as primeiras lições da vida e do coração.
Gostaria que nos tivessemos encontrado antes, muito antes...
Numa nova vida, num outro tempo,em que não precisássemos de temer o futuro,nem duvidar de sentimentos.…
Mas não foi assim…
Só nos conhecemos AGORA.
Pergunto-me:- terá sido na hora certa, no momento certo?!!
Respondo-me:- não sei!
Só sei que nos encontrámos AGORA e que sinto uma enorme vontade de FICAR....
Por isso aqui estou ...
A escrever mais uma página do meu LIVRO.
Quero confiar-to, quero que o desfolhes e leias, página a página, folha a folha, sem pressas, pois nele irás descobrir de onde VIM, por onde CAMINHO e onde quero CHEGAR!
Depois de o leres, se te seduzir CAMINHAR a meu lado, não preciso que mo devolvas.
Guarda-o, pois será NOSSO e daí em diante, tudo o que nele anotarmos, será sempre escrito a "duas mãos", em caligrafia bem legível e com tinta que não se "apague", que fique, que dure e perdure...
infinitamente....
Não me deixes ir, que o vento e a chuva não apaguem da areia os passos da minha passagem por ti!
Gostava de FICAR!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Espero-te


Reflecte no céu desta Noite de breu, a luz dos sonhos.
Encontro no ar o perfume que invento de ti.
És um esboço no papel branco onde deixo resvalar o lápis.
És miragem em pleno deserto. Deus invisível, que habitas o meu sonhar.
Encontro-te, disperso em pedaços, na realidade com que me cruzo, mas apenas no meu mundo és real.
Moldei o teu corpo do barro que extraí da Terra, com um beijo soprado, ofereci-te um pedaço da minha alma e, com a luz duma estrela distante, dei-te vida.
Esta é a utopia que me inspira, sombra duma vida por inventar.
Homem esculpido pelas minhas próprias mãos, alma gémea, ou pura alucinação.
Nos devaneios desta Noite, entrego-me a ti, deixando-me absorver pelas tuas caricias.
Entrego nos teus braços o que resta do corpo exausto, o que resta da minha alma, repousa junto da tua, sangue dos mesmo sangue, vinho do mesmo cálice.
Não existes, ninguém te vê, apenas eu te sinto no porvir de cada anoitecer.
Não és nada, vazio imenso, apenas em mim és tudo.
Espero, tranquilamente, entre séculos, pelo dia em que a força de tanto querer, consiga materializar-te.
Poder olhar-te, e sentir-te como sinto a chuva que me molha o corpo, ouvir-te como escuto o canto do pássaro, e ver-te, como vejo o pôr-do-sol.
Entretanto, espero-te!

sábado, 2 de agosto de 2008

46u4rd0 p0r 71...


As letras desenhadas na noite são peças de mapas antigos que indicam o mundo interior...
Cada página que se vai juntando vai transformando todo o seu sentido... das partes no todo.
E as cartas adivinham-se lendo o céu, sentem-se sendo cada uma delas como um selo no coração: guardando...
05 m3u5 br4ç05, 4 m1nh4 4m4, 357ã0 d3 p0r745 4b3r745, 35p3r4nd0 53n71r-73, 4c0nch364r-73 n0 p3170, 53n71r 0 b31j0 d0c3 d05 73u5 4b105 d3 m3, 3 4 c4r1c14 5u4v3 d4 7u4 m40.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Esta noite estou sozinha...


Consomem-se as palavras, silenciam-se as aves sobre as árvores despidas de folhas.
Cai a noite a seguir ao dia, a alma exausta deixa-se ficar, por hoje, imóvel, vazia.
Esta Noite não tenho nada para dizer, não surgem nas pontas dos dedos as letras que te forma, não se descobre na tela vazia um único traço de mim, de ti, do nosso corpo.
O vento sopra, varrendo do chão a poeira que resta, sobras dum fogo extinto, dramas de uma vida abandonada entre nadas.
A voz cala-se, os pensamentos hibernam na letargia de um frio inverno, o coração, seca, na aridez deste deserto, não te escuto, nem o palpitar do teu coração se faz sentir.
As lágrimas não percorrem mais a planície da minha face, o sal acumula-se no fundo deste lago seco que são os meus olhos.
Não te encontro em lado algum, deixo-me ficar.
As asas ficam, penduradas no armário do esquecimento, fazendo-me perder o equilíbrio conseguido para voltar a voar.
Não há sonhos, nem presenças constantes, apenas a ausência se perde neste imenso e desolado mundo.
Partiram todos, e fiquei só!
Do teu corpo esbelto, conservo ainda o quadro, desenho feito de carvão, que mantenho suspenso das paredes da alma, como última recordação do passado, âncora que se prende ainda no chão vazio deste rio outrora fulgurantemente cheio de ti.

Esta noite estou sozinha...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Escultura


Desvendo-te, o corpo oculto por séculos de espera.
Sopro, suave, uma brisa que aos poucos revela a tua silhueta.
São pedaços de ti, que recolho aqui e ali, e junto para formar um puzzle complexo que julgo seres tu.
Nas noites límpidas, olho o céu, procuro nele o brilho do teu olhar, e espero a todo o instante que venhas olhar para dentro da minha alma.
Este ser, incorpóreo, feito de palavras apenas, assusta-te, e simultaneamente, provoca-te, numa sensação única que te faz procurar viver o instante, que desperta um frio no corpo, mas aquece a alma.
Gritas em silêncio à noite, perguntas-lhe se realmente existe alguém assim, a noite, calada, diz-te que tens de ser tu a perceber, a descobrir.
Esta noite, vou soprar de mansinho, desnudar-te o corpo, enquanto dormes, como o escultor afaga o barro, húmido, suave, que ganha forma nas mãos do criador, fazendo nascer aqui o homem que encerra a alma, contornando a pele com a ponta dos dedos, dando-lhe vida, fazendo o sonho acontecer.
Depois da criação, sento-me, olhando-a, tentando perceber quanto dela é teu, quanto dela é meu, quanto dela é nosso.
Contemplo-a, procurando nas imperfeições as virtudes do ser diferente, percebendo as minhas falhas.
Espero-te, na magnitude do teu ser, sem dúvidas nas palavras e sem medo de te perderes, afinal, ninguém se perde, porque sempre se guia pelos seus instintos, sempre terás em mim a mão que segurará a tua e te trará de volta da escuridão da tempestade, para a luz, da noite tranquila, em que a Lua nos ilumina os espíritos.


É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós os dois?
Dificílimo contar.
Olhei para ti fixamente por instantes.
Tais momentos são o meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Podemos tentar durante algum tempo fazer ROMANCES mas acabaremos por entender que as PERSONAGENS desses ROMANCES são por vezes MAIS REAIS do que as pessoas de CARNE e OSSO...
Acredita, sou mesmo REAL!
Sou alguém que sente que és como eu quero!
Que sou como tu queres!
Que procuramos os mesmos "momentos", que gostariamos de vivê-los para sempre, momentos que começaram nas primeiras palavras que trocámos e nas outras que ainda ficaram por dizer!
Sou ALGUÉM que gostaria de te DESCOBRIR e que DESCOBRISSES!

terça-feira, 29 de julho de 2008

No Sossego desta Noite


No sossego desta noite, fico a ouvir a minha própria alma.
A Lua, preenche o céu imenso, apagando o brilho da tua estrela.
Sento-me no topo da colina, em meu redor as luzes das cidades vizinhas prolongam o firmamento, pontilhando a Terra escura, esbatendo a linha do horizonte.
Hoje, não se escuta nada, apenas o som do coração que bate, a um ritmo quase parado.
Sei que estiveste aqui, vi-te por entre as sombras das árvores adormecidas, deixaste-te ficar, vieste apenas olhar-me, descobrir nas palavras escritas o fôlego que por vezes te falta.
Senti a tua alma palpitar na escuridão, comprimindo-se para não quebrar o silêncio, de palavras que não escreveste, de frases que nunca pronunciaste.
Com as mãos cravadas sobre a terra, deixei que os dedos se afundassem no solo fresco, deixei que criassem raízes e ali ficassem presos para que não deambulassem sobre as teclas, feitas de letras que sempre te escrevo.
Mas, a minha alma, soltou-se e com ela libertaram-se as palavras, frases completas, que no silêncio desta noite, agruparam as estrelas em novas constelações e desenham sobre o céu escuro, as palavras que não ouso dizer-te ao ouvido, simplesmente porque, estiveste aqui, e não me deixaste ver-te.

sexta-feira, 25 de julho de 2008


Ocultas-te , por detrás desse olhar, envolto numa névoa de mistérios.
Ofereces-me o corpo, como se apenas ele me saciasse.
Peço-te a alma, que insistes em ocultar detrás do teu peito desnudo.
Escondes-te, cobres-te com o véu da sedução, deixando transparecer o interior fechado numa barreira de cristal que me permite apenas contemplar o brilho que irradia do centro do teu mundo.
Descubro-te, em cada troca de olhares, nos sentidos que reprimes e não queres mostrar.
No momento em que a minha alma trespassa o teu corpo como um sabre que não fere.
Descubro-te, em cada rosto de homem, em cada palavra que não pronuncio, em cada instante que não vivo.
A cada passo, sinto-te o perfume, encontro o toque da tua pele na seda que me acaricia.
Aguardo-te, gosto de ver-te chegar, quando o dia cede sobre a noite que de mansinho o adormece.
Caminhas com a suavidade da brisa da tarde, com a leveza duma pluma.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Personagem Único

Quando é que percebes que bebo de ti, gotas de inspiração, colho-te do peito a própria invenção, metáfora, sentido, até ilusão.
Matas-me a sede, com teu sopro de vento, afagas-me a pele com teu sentimento.
E nasço, a cada frase tua, em cada sonho que te faço viver, e morro, a cada silêncio, na escura solidão da noite, por saber que apenas és as letras que passo a escrever.
Vagueio pelos textos que crio para ti, como se me lesses em cada olhar que imagina a palavra, como se fosses real.
Encontro-te, cruzamo-nos nas dimensões em que vivemos, passamos sem nos tocar, deixamo-nos ficar, a olhar.
Segues o teu caminho, eu a minha quimera, adormecendo sobre o livro em branco da vida, na esperança que o amanhecer me traga as palavras que te devo escrever.

Escrevo-te, para quebrar a solidão dos meus dias, acompanhar-te na solidão das tuas noites, por entre todo o silêncio a que te votas, abraçado nesse mar de estrelas que te entra pela janela.
Escrevo-te na busca da perfeição, na onda distante que a alma agita, como um poeta que não rima.
Escrevo-te porque quero ser a chama da tua fogueira, porque quero ser a luz trémula que te ilumina a alma, a companhia que na distância te acalma.
Descubro-te, simplesmente pelo instinto, pelo sabor que provo no vento, gosto teu que me toca, instante aberto em que me entregas a verdadeira essência de ti.
Desenho-te sabendo-te de cor, como se tivesses sido meu alguma vez, como se apenas te tivesse tocado, abraçado, beijado.
Invento-te, na luz do dia, para que sejas real nos sonhos da Noite, e, escrevo-te, mesmo sabendo que não me lês, mesmo sabendo que não me sentes, ainda assim te escrevo, com todas as metáforas que conheço, torneando cada palavra, embutindo nela o sentir que reluz como madrepérola.
E tu, aí sentado, olhando a janela e vendo passar lá fora o mundo, perguntas-te, sou eu? E eu respondo-te, sim és tu, tu mesmo, que agora descobriste nas minhas palavras os teus sentimentos, nas minhas metáforas a realidade que vivias procurando.
Utopia dirás, mas o que não é utópico?
Até a própria realidade o será se deixarmos de acreditar nela.

"Todas as personagens, todos os acontecimentos da nossa vida, estão ali porque nós os criámos. Aquilo que QUREMOS FAZER DELES, isso, depende de nós.".
RichardBach

Anjo da Guarda

Debaixo do olhar atento da Noite, parto numa viagem em direcção ao infinito.
Procuro em todas as dimensões, escutar os prantos dos que sofrem.
Deambulo pelas ruas desertas das cidades, pelos portos vazios de barcos, cais de lágrimas que chorámos.
Voo por entre corações quebrados, olhos molhados pela saudade do que não encontrais.
Acaricio os rostos, e num sopro, seco-os, desenhando-lhes um sorriso.
Ofereço-vos a minha alma, em troca de doces e meigas palavras.
Entrego-vos as letras, metáforas da minha essência para que descubrais a luz que brilha em vosso peito.
Fico, e amo-vos, abraçando cada desespero, transformando cada lamento em profundo amor que vos deixo.
Minhas asas aconchegam vossos corpos desprovidos de roupas, apuram-vos os sentidos, reconstroem-lhes as almas, com pedaços do meu próprio ser.
Digo-vos aquilo que já sentis, limito-me a ajudar-vos a descobrir-se.
Deixo-vos em minhas frases o alento de que precisais para seguir em frente, a confiança que haveis perdido ao longo do caminho e, o vosso próprio amor, que não sabias onde o havias perdido.
De feridas saradas, com um sorriso no rosto e asas abertas, tomais o rumo do vento, e eu sopro, para que ganheis altura.
Vejo-vos, seguir em frente, até ao fio dum horizonte onde nunca pensastes chegar.
Cansada, e com o despontar do dia a queimar-me o olhar, parto, vazia por dentro, plena na alma, em direcção ao meu porto de abrigo, concha em que me fecho para repousar, até uma nova Noite acordar.
20/07/08 - 7:00h